Estalo no quadril? Qual a gravidade, principais causas e tratamentos
- Cátia de Souza

- há 5 dias
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A síndrome do estalo no quadril ou do ressalto do quadril, como é conhecida é uma condição em que se sente ou ouve um “estalo” no quadril durante exercicios na pratica de esportes ou nas atividades de vida diária, durante a flexão e extensão do quadril principalmente.
Muitas pessoas têm esse estalo sem dor, mas quando passa a doer e limitar atividades, é chamada de síndrome e pode precisar de tratamento. E acomete de forma indolor entre 5% a 10% da população.
Eu já falei brevemente sobre ela quando escrevi sobre o músculo psoas, mas é um ponto que tenho visto com relativa frequencia, em especial em casos de hipermobilidade, atletas e bailarinas, em alguns associados a dor e outros não, mas em todos os casos é motivo de grande preocupação para quem sente e muitas vezes chegando a provocar a criação de minsets disfuncionais como crenças limitantes e "catastrofização dos estalos". Então a idéia deste artigo é tranquilizar a infinita maioria atraves da conscientização sobre o que realemente é e que mesmo quando é um problema existem soluções e a fisioterapia individualizada e personalizada é uma delas.
A compreensão dos estalos no quadril vem evoluindo ao longo de décadas, em 1951, houve a primeira tentativa de definir a origem dos estalos, correlacionando unicamente ao deslizamento do psoas e atualmente existem três tipos principais de acordo com a causa e localização. São eles:
Externo: estalo na parte lateral do quadril, geralmente por atrito da banda iliotibial ou fibras do glúteo máximo sobre o grande trocânter; muito ligado a esportes com flexão/extensão repetida (corrida, dança); tem inicio gradual e progressivo;
Interno: estalo na região anterior/virilha, por “deslizamento” do tendão do iliopsoas sobre cabeça femoral, eminência iliopectínea ou trocânter menor e também tem inicio gradual e progressivo. Em alguns casos a bursa do iliopsoas pode inflamar, aumentar de tamanho e gerar dor, simulando o tipo intra-articular;
Intra-articular: estalo vindo de dentro da articulação (lesão de labrum, corpo livre, fraturas, luxações, etc.), em geral mais doloroso e grave com inicio abrupto após algum tipo trauma.
Atvidades repetitivas de flexão, rotação externa e abdução do quadril podem predispor aos tipos interno e externo, enquanto que um trauma agudo leva ao tipo intra-articular. E por isso é possivel que os estalos só sejam percebidos quando se tornam dolorosos ou incapacitantes.
Só de observar a classificação quanto aos tipos, a única diretamente relacionada a lesão, maior intensidade de dor e gravidade é o estalo intra-articular. Infelizmente faltam estudos que definam a incidência de casos sintomáticos mas a infinita maioria dos casos são assintomáticos.
Sintomas:
Assintomático: quando existe a presença somente do estalo;
Sintomático: aqui a grande diferença é a presença de dor vinculada ao estalo, associada ou não a limitação para caminhar, correr, subir escadas e praticar esportes;
Em casos crônicos sintomáticos: além de dor, fraqueza, diminuição de amplitude de movimento e performance no esporte e atividades diárias.
A história contada pelo paciente é de suma importância para o diagnóstico, esclarecimento e solução.
Tratamento:
Na grande maioria dos casos, o estalo no quadril é uma condição benigna e não exige intervenção específica.
Quando não há dor associada, o principal cuidado é a orientação adequada: entender o fenômeno, reduzir a ansiedade relacionada ao sintoma e manter a prática de atividades sem restrições desnecessárias.
Nos casos em que o estalo passa a ser acompanhado de dor ou limitação funcional, o tratamento conservador é a primeira escolha.
A fisioterapia tem papel central nesse processo, com objetivos bem definidos:
redução de dor e modulação de sensibilidade local
melhora do controle neuromuscular do quadril e pelve
correção de padrões de movimento que aumentam o atrito tendíneo
recuperação de força, mobilidade e eficiência funcional
retorno progressivo às atividades esportivas e de vida diária
Em situações específicas, especialmente nos casos intra-articulares ou persistentes, pode haver necessidade de investigação complementar por imagem para melhor compreensão da estrutura envolvida.

Dito tudo isso queridos leitores, não se preocupem com o estalo em si, poi ponto mais importante não é o estalo, mas o contexto em que ele acontece.
Na prática clínica, o que define relevância não é a presença do som, mesmo que audível por alguém próximo e sim sua associação com dor, limitação funcional e impacto na performance.
A maioria das pessoas que apresenta estalos no quadril vive plenamente sem qualquer repercussão clínica. Outras, no entanto, desenvolvem dor e restrições que não estão necessariamente ligadas à “gravidade estrutural”, mas sim a um conjunto de fatores biomecânicos, neuromusculares e adaptativos — todos tratáveis.
Por isso, mais do que evitar o movimento ou interpretar o estalo como sinal de lesão, o foco deve estar em compreender o corpo em movimento e tratar aquilo que de fato limita a função.
A fisioterapia individualizada tem justamente esse papel: diferenciar o que é variação normal do que é disfunção, e devolver ao paciente segurança para se mover com eficiência, sem medo e sem restrições desnecessárias.
Em outras palavras: o estalo pode ser um som, mas nem sempre é um problema. E quando é, tem tratamento.
E se for fisioterapia, eu posso te ajudar!
Carpe diem!
C.


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